Sobre gigantes e fracassos
Recentemente tirei minha carteira de motorista. Sim, grande conquista, pois o investimento financeiro e de tempo foram enormes... mas uma conquista que a grande maioria das pessoas já obteve. Porém o que era pra ser mais uma etapa da vida... pra mim foi uma saga.
Tentei tirar carteira de motorista há 10 anos e depois de duas provas praticas e um ano inteiro não consegui... venceu o ano e perdi tudo. A decepção, frustração, tristeza foi tão grande na época que jurei pra mim mesma que nunca mais ia dirigir, que não precisava disso e podia muito bem viver de ônibus ou caminhando...o que amo fazer de verdade. Como dizem, peguei “nojo” de direção, de transito, do sistema, de tudo.
Normalmente sou bem racional... alias racional demais pra uma mulher na minha opinião e isso me faz viver bem com gigantes não vencidos e frustrações. Ok, viver bem não é o melhor termo.. .mas vivo conformada sem sofrer com aquilo por muito tempo. Todos têm muitos gigantes, um por dia praticamente. Seja um novo emprego, a decisão de que faculdade fazer, se casa ou compra uma bicicleta. Gigantes podem vir na forma doce de um bebê, de uma viagem, de uma realidade que sempre tivemos medo de encarar. Pra alguns, gigante é saber mexer com redes sociais... pra outros é definir quando usar a crase ( ou seria à crase???). Mas de todos os gigantes que temos eu acho que tem um que é o pior... é o GIGANTE REINCIDENTE.
O GIGANTE REINCIDENTE é aquele que vc já enfrentou uma, duas, três vezes e ainda não venceu. Ele é um fantasma adormecido mas que de vez em quando acorda e mostra seu tamanho enorme e sua força assustadora. O pior desse gigante é que ele cresce com o tempo...vai ficando cada vez maior com o passar dos anos e fica difícil acreditar que um dia poderemos vencê-lo. O gigante reincidente é capaz de massacrar e testar nossa fé em nós mesmos e em Deus.
Durante meu processo de tirar a carteira encarei ele diversas vezes. Primeiro, quando decidi fazer, eu era forte e olhei pra ele dizendo: - Dessa vez eu ganho! Mas ao longo do processo a coisa foi mudando. Duvidas e dificuldades apareciam e o gigante se levantava pra me enfrentar. Dias antes da prova a coisa descambou de vez...errava tudo, ficava nervosa e meu instrutor foi categórico em dizer que daquele jeito eu não conseguiria passar. Fiquei mal...muito mal. Me senti burra, incapaz, idiota por tentar novamente aquilo que já havia me derrotado. Chorei e muito. No meio da rua, no banheiro, na cama quando não dormia pensando naquela prova bendita.
Aí vc diz: “-Pelamor Hellen, era só uma prova, relaxa! A maioria das pessoas não passa na primeira vez!” É verdade...eu sabia disso, mas a realidade do dinheiro gasto, do tempo investido e do fracasso iminente acabou comigo. Então cancelei a prova e decidi fazer mais duas aulas pra ver se me ajudava. E enquanto esse processo corria eu resolvi fazer algo inusitado... sentar e tomar um café da tarde com meu gigante.
Isso mesmo, decidi olhar pra dentro de mim e tentar entender porque era tão dificil, doído e desesperador pensar nessa prova...e não gostei do que vi. Descobri que o medo do fracasso vem acompanhado do orgulho, do temor dos homens, de se sentir normal...como todos. Eu não tinha medo de não passar na prova de novo. Eu tinha medo de fracassar de novo, de sentir o gosto amargo da derrota quando eu sei que sou capaz de tantas coisas, sou inteligente, sou esperta...mas nesse assunto eu era um fracasso. Ver isso foi ruim. Admitir que sou orgulhosa e não queria mais uma derrota foi dolorido...mas algo libertador aconteceu junto.
Quando decidi encarar o gigante e assumir o que sentia o fardo ficou mais leve. Vi que fracassos são parte da vida e não me definem. Fracassos são invitáveis mas não representam quem eu sou como pessoa e não diminui todas as outras vitórias já conquistadas. Decidi que se era pra fracassar, faria isso com estilo e não debaixo de estresse e choro. Já que o gigante é grande ia no mínimo enfrentar ele com desdém... como se ele não significasse muito pra minha vida.
Fico pensando em Davi que enfrentou o mais famoso gigante de todos e quando leio a história parece que ele não teve medo nenhum. E realmente acho que ele não teve porque antes de vencer Golias ele precisou vencer seus gigantes internos e reincidentes. Davi encarou o gigante do medo da morte, das dúvidas, do orgulho ferido caso tudo desse errado. Vencida essa etapa, vencido os gigantes internos ele foi enfrentar o externo com o melhor que tinha: pedras e uma funda. Não era muito...mas era o que ele tinha...e era o melhor que ele podia fazer.
Fui pra prova pratica como Davi. Os gigantes do orgulho, medo de cobranças, vergonha já estavam vencidos. Fui com o melhor que eu tinha: minha concentração, meu Deus e o que tinha aprendido. Fui confiante de que poderia passar, mas que o fracasso era tão próximo quanto à vitória e, de verdade, dessa vez estava tudo bem. Se não conseguisse outras provas viriam, a vida seguiria...e eu sobreviveria.
Pernas bambas e tremulas quase todo o percurso mas uma serenidade na mente invejável. Fiz o que me foi pedido...sem expectativa, sem olhar se ele anotava algo na prancheta, sem receio do percurso ser difícil. Fiz, e pronto.
A prova acabou e desci do carro como quem acaba mais uma aula...não sabia o que ele diria. Mas ele disse PARABÉNS! Contra todas as minhas expectativas ele disse parabéns, vc passou! Não conseguia parar de sorrir pois parecia um sonho inacreditável. Literalmente senti que vários quilos saíram das minhas costas...esse gigante foi embora e eu não sinto sua falta.
Mas agradeço porque essa experiência me mostrou uma faceta humana tão difícil de ver. Admitir o fracasso. Passamos a vida tentando escapar disso seja na área que for...enquanto podíamos viver bem melhor se aceitarmos que eles virão, não importa quanto esforço vc faça. Sei que outros gigantes surgem a minha frente...novos desafios e novas conquistas. Mas quando olho pro espelho é que os gigantes reincidentes aparecem. Manias que precisam mudar, caráter que ainda precisa ser transformado. Senso critico e preconceitos que devem ser abandonados. Pecados de estimação. E eu já lutei essas lutas tantas vezes e perdi que parece impossível vencê-las. Mas lembro que mesmo errando sempre tenho pra Onde voltar. Que o mais importante é minha intenção e persistência e não necessariamente a vitória final. Me dou conta que enfrentar gigantes é que nos torna resilientes e a resiliência é que me torna mais madura, tolerante, paciente e com fé.
Fracassos. Eles estão aí em cada esquina da vida. Gigantes...aparecem a cada minuto do dia. Vitória...é o alvo em cada uma dessas batalhas. Mas o que mais importa mesmo é que nesse ciclo eu encontre a serenidade, sabedoria e paz pra enfrentar uma luta por vez na dependência de Quem é maior que eu...e saber que sempre posso voltar e recomeçar, sem medos, sem cobranças...mas sempre recomeçando!
Normalmente sou bem racional... alias racional demais pra uma mulher na minha opinião e isso me faz viver bem com gigantes não vencidos e frustrações. Ok, viver bem não é o melhor termo.. .mas vivo conformada sem sofrer com aquilo por muito tempo. Todos têm muitos gigantes, um por dia praticamente. Seja um novo emprego, a decisão de que faculdade fazer, se casa ou compra uma bicicleta. Gigantes podem vir na forma doce de um bebê, de uma viagem, de uma realidade que sempre tivemos medo de encarar. Pra alguns, gigante é saber mexer com redes sociais... pra outros é definir quando usar a crase ( ou seria à crase???). Mas de todos os gigantes que temos eu acho que tem um que é o pior... é o GIGANTE REINCIDENTE.
O GIGANTE REINCIDENTE é aquele que vc já enfrentou uma, duas, três vezes e ainda não venceu. Ele é um fantasma adormecido mas que de vez em quando acorda e mostra seu tamanho enorme e sua força assustadora. O pior desse gigante é que ele cresce com o tempo...vai ficando cada vez maior com o passar dos anos e fica difícil acreditar que um dia poderemos vencê-lo. O gigante reincidente é capaz de massacrar e testar nossa fé em nós mesmos e em Deus.
Durante meu processo de tirar a carteira encarei ele diversas vezes. Primeiro, quando decidi fazer, eu era forte e olhei pra ele dizendo: - Dessa vez eu ganho! Mas ao longo do processo a coisa foi mudando. Duvidas e dificuldades apareciam e o gigante se levantava pra me enfrentar. Dias antes da prova a coisa descambou de vez...errava tudo, ficava nervosa e meu instrutor foi categórico em dizer que daquele jeito eu não conseguiria passar. Fiquei mal...muito mal. Me senti burra, incapaz, idiota por tentar novamente aquilo que já havia me derrotado. Chorei e muito. No meio da rua, no banheiro, na cama quando não dormia pensando naquela prova bendita.
Aí vc diz: “-Pelamor Hellen, era só uma prova, relaxa! A maioria das pessoas não passa na primeira vez!” É verdade...eu sabia disso, mas a realidade do dinheiro gasto, do tempo investido e do fracasso iminente acabou comigo. Então cancelei a prova e decidi fazer mais duas aulas pra ver se me ajudava. E enquanto esse processo corria eu resolvi fazer algo inusitado... sentar e tomar um café da tarde com meu gigante.
Isso mesmo, decidi olhar pra dentro de mim e tentar entender porque era tão dificil, doído e desesperador pensar nessa prova...e não gostei do que vi. Descobri que o medo do fracasso vem acompanhado do orgulho, do temor dos homens, de se sentir normal...como todos. Eu não tinha medo de não passar na prova de novo. Eu tinha medo de fracassar de novo, de sentir o gosto amargo da derrota quando eu sei que sou capaz de tantas coisas, sou inteligente, sou esperta...mas nesse assunto eu era um fracasso. Ver isso foi ruim. Admitir que sou orgulhosa e não queria mais uma derrota foi dolorido...mas algo libertador aconteceu junto.
Quando decidi encarar o gigante e assumir o que sentia o fardo ficou mais leve. Vi que fracassos são parte da vida e não me definem. Fracassos são invitáveis mas não representam quem eu sou como pessoa e não diminui todas as outras vitórias já conquistadas. Decidi que se era pra fracassar, faria isso com estilo e não debaixo de estresse e choro. Já que o gigante é grande ia no mínimo enfrentar ele com desdém... como se ele não significasse muito pra minha vida.
Fico pensando em Davi que enfrentou o mais famoso gigante de todos e quando leio a história parece que ele não teve medo nenhum. E realmente acho que ele não teve porque antes de vencer Golias ele precisou vencer seus gigantes internos e reincidentes. Davi encarou o gigante do medo da morte, das dúvidas, do orgulho ferido caso tudo desse errado. Vencida essa etapa, vencido os gigantes internos ele foi enfrentar o externo com o melhor que tinha: pedras e uma funda. Não era muito...mas era o que ele tinha...e era o melhor que ele podia fazer.
Fui pra prova pratica como Davi. Os gigantes do orgulho, medo de cobranças, vergonha já estavam vencidos. Fui com o melhor que eu tinha: minha concentração, meu Deus e o que tinha aprendido. Fui confiante de que poderia passar, mas que o fracasso era tão próximo quanto à vitória e, de verdade, dessa vez estava tudo bem. Se não conseguisse outras provas viriam, a vida seguiria...e eu sobreviveria.
Pernas bambas e tremulas quase todo o percurso mas uma serenidade na mente invejável. Fiz o que me foi pedido...sem expectativa, sem olhar se ele anotava algo na prancheta, sem receio do percurso ser difícil. Fiz, e pronto.
A prova acabou e desci do carro como quem acaba mais uma aula...não sabia o que ele diria. Mas ele disse PARABÉNS! Contra todas as minhas expectativas ele disse parabéns, vc passou! Não conseguia parar de sorrir pois parecia um sonho inacreditável. Literalmente senti que vários quilos saíram das minhas costas...esse gigante foi embora e eu não sinto sua falta.
Mas agradeço porque essa experiência me mostrou uma faceta humana tão difícil de ver. Admitir o fracasso. Passamos a vida tentando escapar disso seja na área que for...enquanto podíamos viver bem melhor se aceitarmos que eles virão, não importa quanto esforço vc faça. Sei que outros gigantes surgem a minha frente...novos desafios e novas conquistas. Mas quando olho pro espelho é que os gigantes reincidentes aparecem. Manias que precisam mudar, caráter que ainda precisa ser transformado. Senso critico e preconceitos que devem ser abandonados. Pecados de estimação. E eu já lutei essas lutas tantas vezes e perdi que parece impossível vencê-las. Mas lembro que mesmo errando sempre tenho pra Onde voltar. Que o mais importante é minha intenção e persistência e não necessariamente a vitória final. Me dou conta que enfrentar gigantes é que nos torna resilientes e a resiliência é que me torna mais madura, tolerante, paciente e com fé.
Fracassos. Eles estão aí em cada esquina da vida. Gigantes...aparecem a cada minuto do dia. Vitória...é o alvo em cada uma dessas batalhas. Mas o que mais importa mesmo é que nesse ciclo eu encontre a serenidade, sabedoria e paz pra enfrentar uma luta por vez na dependência de Quem é maior que eu...e saber que sempre posso voltar e recomeçar, sem medos, sem cobranças...mas sempre recomeçando!

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