Mãe sol, Mãe nuvem - Dilemas da maternidade! (2012)


     Quero ser mãe sol! Acordar já aquecendo a casa e todos os que nela vivem. Logo de manhã brilhar com um sorriso, com meu humor, encantando e dando ânimo a quem depende de mim. Quero ser mãe sol que ao longo do dia vai  aumentando seu brilho independente das situações que encontra pela frente. É capaz de aquecer o coração mais gelado e dissipar as gotas de lágrima prestes a cair.
    
      Não quero ser mãe nuvem! Essas são levadas pelo vento de um lado ao outro. São inconstantes e seu humor varia dependendo da situação. Não quero ser mãe nuvem que se deixa levar pelo excesso de trabalho da casa, pela TPM e pelas malcriações dos filhos. Mães nuvens podem começar o dia suaves como flocos de algodão e em poucas horas se tornar escuras desabando numa tempestade de ira e impaciência.
    
      Quero ser mãe sol que no meio do dia, quando o cansaço começa a chegar consegue vencer a dificuldade e brilhar ainda mais forte...e assim se manter por longas horas, declinando seu calor devagar tornando sua companhia aprazível aos filhos. Quero ser mãe sol que é agradável quando acorda e bela quando chega o fim do dia...que mesmo sumindo no horizonte de suas forças ainda torna a paisagem deslumbrante para que os filhos tenham sempre pra onde olhar e se inspirar. Quero ser mãe sol, porque assim seria a mãe perfeita.
     
     Não quero ser mãe nuvem, que com sua irritação torna o céu dos filhos escuro, que aparece e desaparece ao longo do dia sem deixar marcas. Não quero ser mãe nuvem que aplaca o sol, mães que entram na frente da luz que guia os filhos e lhes confunde a mente...que ao invés de ajudar deixa a criança na duvida se ainda é dia ou se já é noite...mães nuvens fazem isso porque não sabem lidar com os próprios desafios e não possuem domínio próprio para exercer sua função com constância. Não quero ser mãe nuvem, porque assim seria uma mãe falha.
     
     Mas quanto mais reparo no sol e nas nuvens a tristeza me abala. Mesmo almejando ser o sol, confesso que na maioria dos dias, ou melhor, na maioria das horas, sou uma nuvem. Sou inconstante, me deixando levar pelas dificuldades...mudando de humor todo tempo...tempestuando a vida dos meus filhos com minha falta de controle, com minha falta de mim mesma. Fico triste imaginando que a mãe sol parece um objetivo tão longe de ser alcançado, e a mãe nuvem tá sempre diante de mim.
    
     Então me lembro de olhar para o céu novamente...e lembro que o mesmo Criador que governa as nuvens e o sol governa meu coração. E enquanto olho o céu vejo a linda imagem que se forma quando sol e nuvens trabalham juntas. Um céu iluminado com flocos de algodão branco contrastando com o azul intenso. Um céu  cheio de nuvens arredondadas permitindo que o raios de sol passem por elas formando uma imagem angelical. Quando trabalham juntos, o sol mesmo indo embora deixa um rastro de cor que reflete sua beleza...uma aquarela de amarelo, vermelho, laranja tingindo as nuvens. Olhando para o céu percebi que não preciso escolher entre ser mãe sol ou mãe nuvem, porque sou as duas formas. Em momentos diferentes, em situações distintas. As vezes uma mãe melhor, as vezes uma mãe pior...mas sempre uma mãe tentando dar o que há de melhor aos seus filhos...dar de si mesma.
     
     Não quero ser mãe sol apenas. Se fosse ficaria soberba, me consideraria o astro rei da terra e desprezaria as outras mulheres. Não quero ser mãe nuvem apenas. Se fosse me sentiria diminuída e incapaz de concluir o trabalho que me foi dado, de criar filhos à imagem de Deus.
     
     Não quero ser mãe sol, pois não sou perfeita
     Não quero ser mãe nuvem, pois não sou toda falha
     Quero ser mãe apenas, pois assim serei humana. E humanos Deus sempre sabe moldar!

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