O SACRIFÍCIO DO EXERCÍCIO, OU O EXERCÍCIO DO SACRIFÍCIO???? (2012)
Há aproximadamente um mês procurei uma médica, fiz um mega check up e peguei firme no exercício físico com o propósito de emagrecer nove quilos.
Separei um horário...13:30h (único horário livre do dia...), 40 minutos de segunda a sexta alternando corrida e caminhada. Comecei com todo ânimo, pensando que no fim do mês estaria com 3 k a menos e vestindo manequim 40 novamente. Mas bastaram três dias pra eu me dar conta que não seria tão simples assim. Na verdade descobri que esse seria um caminho longo, difícil e doloroso. Mais do que isso, seria um caminho de sacrifício!
Engraçado como nosso corpo abraça o que dá prazer e luta contra o que é sacrificial. Dor muscular, respiração acelerada, cansaço, suor, esgotamento. Me sentia um trapo no final dos 40 min. e todo meu corpo gritava...PÁRA, VAI LER UM LIVRO... VAI COMER UM SORVETE...VAI DORMIR!!!!
Num dos momentos prestes a desistir de tudo me disseram que a corrida tem algo parecido com o jejum. Algo de mortificar a carne pra elevar o espírito. O exercício sacrifica o corpo em prol de um bem maior...a saúde a longo prazo.Pensei muito sobre isso e me dei conta de que não só é um sacrifício fazer exercício, mas preciso me exercitar nos sacrifícios diários.
Por exemplo:
Gostaria de ter uma vida financeira não tão apertada. Pra isso poderia trabalhar fora, com salário mensal, de preferência dentro de um hospital que é um lugar que amo trabalhar. Mas pra isso teria que deixar meus filhos numa creche. Resultado: pelo bem maior de eu mesma criar meus filhos, sacrifico o trabalho, o amor pelo ambiente hospitalar, o dinheiro extra e consequentemente sacrifico a carteira de motorista, a viagem tão sonhada, a frequência nos restaurantes, os passeios esperados. E de sacrifícios diários vou vivendo, tentando achar brechas de prazer.
Mas assim como o exercício gera um certo bem estar depois de concluído o sacrifício tem suas vantagens. Por escolher ficar com meus filhos ganhei o prazer das LEMBRANÇAS!
Lembro das primeiras comidas e primeiras palavras. Do primeiro tombo mais grave e do choro incontido pelo pesadelo que assolava o sono. Lembro disso porque eu estava lá pra ser o consolo. Lembro dos banhos de banheira, de piscina, de mar, de chuva que eu proporcionei. Lembro das artes e aprontações que disciplinei e das brincadeiras e jogos que inventei. E por poder lembrar de tanta coisa sinto o prazer no sacrifício feito, pois ele valeu a pena!
A carteira de motorista, a viagem e o famoso restaurante vão ter que esperar, mas pelo menos eu vivi a vida enquanto ela acontecia e agora não vivo tentando resgatar o que se perdeu.
Sempre digo que fotografia é a materialização daquilo que nossa memória guarda. Por isso amo tirar foto das coisas belas na esperança de que não se apague da visão o que somente a memória esconde. Mas fotos sozinhas podem ser lindas, porém sem sentido ou emoção. A foto se torna completa quando atrás da imagem tem uma história, uma musica, um cheiro. E só quem estava presente sabe disso.
Cheguei ao fim dos 30 dias de exercícios Ao invés de perder três quilos, perdi um. Continuo usando calça 44, mas perdi dois centímetros na cintura. Meu corpo já não se sente tão cansado e indisposto, pelo contrario, minha respiração tá melhor, meu desempenho tá melhor. O caminho do exercício ainda é longo e árduo. Ainda virão muitos dias de sacrifício e poucos de prazer. Mas se tem algo que aprendi nesse primeiro mês foi enxergar as dificuldades diárias com outros olhos...sabendo que apenas o prazer não torna a vida completa.
Sacrifiquei vários minutos de sono escrevendo esse texto. Vou acordar cedo e cansada provavelmente. Mas penso que o sacrifício não foi em vão se tão somente o texto me ajudar a lembrar o que realmente é importante, quando novamente pensar em desistir.
E se exercitando nos sacrifícios vamos colhendo pequenos frutos de prazer durante o longo caminho dessa vida!!!

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