Gosto de Infância (2012)
Ela vive em outro mundo. É adulta na idade e nas responsabilidades, mas os sonhos e desejos são de criança.
Anda pelas ruas se equilibrando no meio fio porque ainda acha isso divertido. Pula poças de água e ama banhos de chuva. Se alegra ao extremo com o picolé ou o salgadinho preferido. Faz tudo isso porque tem gosto de infância ... e esse é o melhor gosto do mundo. O gosto da liberdade!
Mas a vida lhe impõe a realidade. Porque os adultos insistem em lembrá-la que é uma adulta? Horas marcadas, compromissos agendados, prazos a serem cumpridos. A cabeça a mil pensando nas mudanças prestes a acontecer, as noites insones após dias corridos. E em meio a toda essa tormenta, num minúsculo momento de calmaria, ela olha para o céu e tenta decifrar as figuras que se formam nas nuvens. Nas idas e vindas de ônibus em dias chuvosos, enquanto todos reclamam do bafo dentro do veículo, ela desenha corações, estrelas e meninas no vidro embaçado. E tão logo acaba sua obra de arte, dissipa-se, assim como seu momento de paz. E a realidade retorna.
A infância se foi e isso se mostra nas rugas que começam a se formar em seu rosto. Mas seu coração ainda é de uma criança e parece que esses dois mundo não conseguem conviver em harmonia num mesmo corpo.
Se refugia nos pensamentos e nas pequenas brincadeiras. Pula por paralelepípedos como se fossem amarelinhas, corre atrás das pombas pra vê-las voar, tenta não pisar na linha da calçada, abre a bolacha recheada pra comer um lado de cada vez. E são essas ações tão simples que a mantém resistente e pronta pra mais um telefonema importante, mais um decisão imprescindível.
Cumprir seu papel no mundo ou aproveitar a vida nele, eis o seu dilema! Pessoas dependem dela e de seu serviço, mas o tempo está passando e ainda há tanto pra conquistar! Difícil conciliar o urgente com o interessante, o importante com o divertido. A mulher madura, com a menina levada.
E pensando nessas questões acaba mais um dia de trabalho. Talvez mais uma noite insone esteja chegando, quem sabe acompanhada por uma dor de cabeça pelo cansaço. Mas antes de tudo isso, antes que o dia de adulto acabe, ela fica de pé na cama, dando pequenos pulos. Lembra da época em que pulava alto no colchão, rindo, imaginando que alcançaria o céu.
Quem sabe, um dia ela alcance...
Anda pelas ruas se equilibrando no meio fio porque ainda acha isso divertido. Pula poças de água e ama banhos de chuva. Se alegra ao extremo com o picolé ou o salgadinho preferido. Faz tudo isso porque tem gosto de infância ... e esse é o melhor gosto do mundo. O gosto da liberdade!
Mas a vida lhe impõe a realidade. Porque os adultos insistem em lembrá-la que é uma adulta? Horas marcadas, compromissos agendados, prazos a serem cumpridos. A cabeça a mil pensando nas mudanças prestes a acontecer, as noites insones após dias corridos. E em meio a toda essa tormenta, num minúsculo momento de calmaria, ela olha para o céu e tenta decifrar as figuras que se formam nas nuvens. Nas idas e vindas de ônibus em dias chuvosos, enquanto todos reclamam do bafo dentro do veículo, ela desenha corações, estrelas e meninas no vidro embaçado. E tão logo acaba sua obra de arte, dissipa-se, assim como seu momento de paz. E a realidade retorna.
A infância se foi e isso se mostra nas rugas que começam a se formar em seu rosto. Mas seu coração ainda é de uma criança e parece que esses dois mundo não conseguem conviver em harmonia num mesmo corpo.
Se refugia nos pensamentos e nas pequenas brincadeiras. Pula por paralelepípedos como se fossem amarelinhas, corre atrás das pombas pra vê-las voar, tenta não pisar na linha da calçada, abre a bolacha recheada pra comer um lado de cada vez. E são essas ações tão simples que a mantém resistente e pronta pra mais um telefonema importante, mais um decisão imprescindível.
Cumprir seu papel no mundo ou aproveitar a vida nele, eis o seu dilema! Pessoas dependem dela e de seu serviço, mas o tempo está passando e ainda há tanto pra conquistar! Difícil conciliar o urgente com o interessante, o importante com o divertido. A mulher madura, com a menina levada.
E pensando nessas questões acaba mais um dia de trabalho. Talvez mais uma noite insone esteja chegando, quem sabe acompanhada por uma dor de cabeça pelo cansaço. Mas antes de tudo isso, antes que o dia de adulto acabe, ela fica de pé na cama, dando pequenos pulos. Lembra da época em que pulava alto no colchão, rindo, imaginando que alcançaria o céu.
Quem sabe, um dia ela alcance...

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