Quem sou eu?

 

Ele é jovem e rico. Duas características que nossa sociedade almeja. Mas ele sente falta de algo que nem a juventude, nem a riqueza conseguem trazer. Paz, significado, relevância. Quem sabe esse Mestre tem a resposta?
Ele tem coragem, humildade e boa intenção. Reconhece que Jesus é um mestre, que é bom e merece respeito. Ele conhece a lei e a observa. É o crente que vai na igreja, curte e compartilha as frases do pastor e tenta viver de forma certa.
Mas pra Jesus boas intenções não bastam. Ele quer coração e não intenção.
"Venda tudo que tem e segue-me".
Difícil! Tudo é muito! É coisa demais para abrir mão. Ele não consegue e vai embora mais vazio do que chegou.
Seu nome? Não sabemos, mas para eternidade será conhecido como jovem rico. Sua identidade foi moldada por aquilo que o dominava. Sua história foi marcada por virar as costas pra Deus para continuar servindo seu deus.
E você? Se alguém fosse te descrever, qual seria sua característica? A jovem que namora todos, o jovem que não larga celular, a mulher reclamona, o homem irado...
Será que nossos pecados de estimação, nossos ídolos tem sido nossa marca e identidade? Se sim, o problema está em nós que agimos como o jovem rico. Não basta boa intenção, precisa do coração. Precisa dar tudo, deixar Ele moldar tudo.
Acompanhe os posts abaixo e veremos alguns personagens sem nome, com identidades marcadas. Espero que nesse percurso você se enxergue e consiga responder as perguntas: se fosse me descrever em uma característica, qual seria? Qual marca deixarei na história? Quem sou eu?

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Ela é mulher e samaritana. Para aquela cultura ela era o cocô do cavalo do bandido. Menos que nada. Um ser inútil, sem voz e como é de se esperar, sem nome.
Sua identidade está presa pra sempre à sua nacionalidade maldita. Ela era a "judia na alemanha nazista", " a prostituta da cracolândia", a.... (complete com algo que resulta em preconceito hoje).
Mas sua história é diferente.
Ela encontrou o mesmo mestre que o jovem rico (ver post de ontem). Ela tem curiosidade, carências, dúvidas. Mas acima de tudo ela tem sede da verdade e, diferente do jovem rico, ela entrega tudo.
Seu coração buscava significado em muitos homens, mas isso se torna nada diante daquela conversa junto ao poço. Jesus derruba todos os preconceitos e com isso derruba as barreiras do coração dela. Ela está entregue a Jesus e sua origem, sua reputação, seus anseios não são barreiras.
Ela sai e fala pra todos! Homens, mulheres, crianças... não importa. Pelo testemunho dela muitos conhecem a Cristo. A mulher samaritana, rejeitada e excluída se torna a missionária essencial.
E você? Qual característica do passado que pesa nos seus ombros? A mulher divorciada? A mãe solteira? A jovem que se drogava? Aquela que fez aborto? Jesus não está olhando para o que você fez, mas sim para o seu agora. A mulher samaritana não deixou que sua "fama" a impedisse de servir a Deus. Como você tem usado sua história pra glorificar Ele?
Lembra, é na sua fraqueza que Deus é forte. Pare de se vitimizar por ser quem você é ou ter a história que tem. Pare de achar que não é digna de falar do evangelho porque seu passado te condena.
Jesus pagou esse preço na cruz, então por favor, não dê ibope para seu passado, mas dê para Cristo. Ele é especialista em pegar as coisas loucas do mundo e usá-las de forma incrível!

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Ele é o filho mais velho de um homem muito rico. Sempre esteve ao lado de seu pai, trabalhando. Quem olha pra ele enxerga um rapaz ajuizado, obediente, exemplar. O problema é que ele também se enxerga assim.
Olha para seu irmão e pensa: "ridículo. Que irresponsável! Olha tudo que ele faz. Merece sofrer mesmo! Ele é juiz de si mesmo e dos outros."
É o típico irmão da igreja que critica e reclama de tudo. A música e alta demais, o pastor prega demais, a irmã desafina demais, o banco é duro demais. Tudo é ruim demais pois ele só enxerga seu umbigo, suas boas obras, suas certezas e opiniões.
Ele é o filho mais velho, aquele que deveria ter mais maturidade pra lidar com as burrices do outro. Que deveria se sentir responsável em discipular e ajudar nas fraquezas do outro. Mas ele só enxerga a si mesmo. E por enxergar a si mesmo, despreza o pai.
O perdão que o pai oferece é grande demais, exagerado demais. Ele julga o pai pela bondade com o irresponsável enquanto toma pra si o direito de ser o único certo.
Ele representa eu e você quando comparamos pecados e nos sentimos "menos pecadores". Quando olhamos para fraqueza do outro e dizemos: "de novo?"  - ao invés de "vamos juntos". Ele representa nosso cristianismo que não  aceita que o ladrão da cruz se converta no último minuto, o gay que frequenta o grupo pequeno ou o imoral que de novo saiu pra balada e transou com todas. O irmão mais velho não entende que o Pai não rejeita um coração arrependido e nem trata o pecado com o rigor que merecia. No fundo julgamos a graça e misericórdia de Deus, pois achamos que nós somos merecedores dela, mas não aquele pecador terrível.
O filho mais velho tem o coração tão devasso quanto o filho pródigo. Mas ambos são filhos do mesmo Pai. E o que importa não é quem pecou mais, mas o tamanho do perdão. E isso, é mérito apenas do Pai. O foco é Ele, nunca nós!

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Ela é viúva e pobre. Numa sociedade onde o homem é o provedor principal, ser viúva era atestado de necessidade. Sem amparo, sem proteção, sem dinheiro. Uma mulher largada a própria sorte.
Mas ela tem uma coisa que ninguém vê e vale mais que todas as riquezas: fé.
Na verdade alguém vê. A única pessoa que realmente importa enxerga a fé dessa mulher. Jesus está lá e entre tantas ofertas robustas, porém vazias, é a oferta da viúva que chama a atenção. Ela deu tudo que tinha!
Entenda uma coisa: não é QUANTO, mas o COMO que importa.
"Eu não tenho talentos pra ajudar na igreja!" - você sabe sorrir e dizer "bem vindo!"? - Então você pode ajudar.
"Eu não sirvo pra nenhum ministério pois não canto, não toco instrumentos, não sei ensinar..." - você sabe orar? - então pode se envolver.
"Não tenho dinheiro para fazer doação para missões, mal consigo me sustentar." - você consegue lavar carros, fazer bolachas, ser babá? - então consegue juntar algum dinheiro para contribuir.
Deus não está preocupado se a oferta é grande, se os talentos são inúmeros, se as possibilidades são infinitas. Mas Ele olha seu coração e se você dá por inteiro o pouco que tem. 5 pães e 2 peixes na mão Dele vira um banquete. Duas moedas viram tesouros.
A viúva pobre não comoveu os lideres religiosos com sua oferta, mas com sua fé ela comoveu o coração de Jesus. Você pode ser a mulher que não canta, a jovem que não sabe tocar nada, o rapaz que não tem dinheiro. Mas se você tiver fé de entregar seu tudo para Deus, Ele tornará sua história na pessoa anônima que Ele viu e admirou.
Precisa mais do que isso pra ter sucesso na vida? Precisa mais do que o olhar admirado de Jesus sobre você? Eu acho que não...

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Mulher samaritana, viúva pobre, leproso, cego, paralítico, homem da mão ressequida, mulher hemorrágica, manco, menino endemoniado, surdo e mudo, mendigo, centurião romano, mulher adúltera. Todos esses são personagens anônimos dos evangelhos. Pessoas que viram, falaram, tocaram e tiveram as vidas mudadas por Jesus.
A escória da humanidade, excluídos da sociedade, impuros e sem nome. A fama deles está diretamente relacionada à transformação que tiveram. A fama deles não é deles, mas de Cristo!
Fico sempre encantada com o fato de Jesus amar essas pessoas. Ele não só ama, mas gosta de estar com elas. Procura a companhia delas. O coração dos desprezados tem tudo para dar e nada a perder e isso cativa a atenção de Jesus.
Muitas vezes admiramos esses personagens sem nomes, mas na vida real nos portamos mais como jovens ricos e filhos mais velhos. Não abrimos mão de nossos ídolos, somos cheios de justiça própria. Julgamos e saímos, dando as costas pra Jesus, afinal abrir mão de tudo é muito.
A graça de Deus está disponível, mas apenas os pobres de espirito é que reconhecem a necessidade de recebê-la.
De todos os títulos que você pode ter como sua identidade, almeje apenas aqueles que mantém você no anonimato e Deus no centro. Assim, alcançará um sucesso muito maior do que qualquer graduação poderia te dar.
Hellen esposa, mãe, missionária, escritora, artista... muitos títulos poderiam me descrever. Mas quero todo dia lembrar que sou a mulher perdoada, transformada, falha e fraca mas que se apoia no Deus forte. Filha de Deus amada e protegida.
E você, que nome usaria para te descrever? Ou melhor, que nome as pessoas usariam para te descrever? Essa descrição traria glória para quem?

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