Mães da depressão

A imagem pode conter: 1 pessoa, texto que diz "Mães da Depressão Uma conversa sincera"

Minha primeira filha foi planejada, desejada, esperada. Aproveitei os 9 meses de uma gestação sem enjôos, sem incômodos e sem sustos. Amava estar grávida e sonhava com o dia do nascimento, amamentação, vida de mãe. Queria dizer que esse sonho continuou perfeito depois que ela nasceu, mas não foi assim...

Ela nasceu linda, gordinha, super saudável. Já eu, descobria as lutas de uma depressão pós parto.
Uma cesárea que eu não queria, uma peridural torturante, (levei 5 picadas nas costas) que resultou em vômito e desmaio enquanto abriam minha barriga, hormônios doidos e um peito rachado nas primeiras 24h foram apenas alguns dos fatores que tornaram tudo um pesadelo.
Eu não me reconhecia. Estava ali... mãe de corpo presente , mas não de alma. Amamentava em meio a dores terríveis e chorava sem saber como sobreviver a dor, ao cansaço, à perda de mim mesma.
Os 3 meses mais intensos, confusos, difíceis da minha vida. Eu era mãe, mas não sentia o amor avassalador da maternidade. Aquele sentimento de saudade quando eles dormem, de plenitude quando pega no colo, de satisfação quando amamenta... não tinha! Mas passou e eu venci.

Passou porque eu entendi que tudo aquilo era mais normal do que eu imaginava, porém eu decidi que não me acomodaria. Passou porque procurei ajuda. Li, conversei, orei. Céus... como orei! Pedia graça pra vencer o dia, misericórdia pro meu pecado de egoísmo, individualidade e controle. Orava por paz em meio ao caos da noite, amor nas ações mesmo que não tivesse o sentimento. Passou e eu me tornei mais forte!
Escrevo isso hoje pra vc, que é mãe da depressão, como eu. Queria dizer que tudo foi perfeito, mas não posso. Vc tbm não... e tá tudo bem! Eu entendo a sua dor e garanto, vai passar. Não se acomode, busque e espere em Deus, viva um dia de cada vez, e deixe Ele fazer o resto do trabalho!

Aos 4 meses da minha filha eu estava bem, completa, feliz. Aí meu pai faleceu e o mundo desabou. Achei que sucumbiria de novo com o golpe da vida, mas quem me manteve sã foi aquele bebê. Olhar pra ela e lembrar dos últimos 4 meses me dava a certeza de que eu era capaz de superar qualquer obstáculo. Aliás, nós eramos um time. Eu lhe dava alimento, colo, proteção. Ela me dava senso de existir, um motivo pra lutar e os sorrisos mais fofos do mundo. Até hoje olho pra minha menina de 12 anos e penso: passou!
E eu faria tudo de novo sem tirar nem pôr, porque foi esse pesadelo inicial que me tornou mãe resiliente, filha dependente do Pai, amiga de outras "mães da depressão" que vim a conhecer depois.
Sim, vc teve depressão, mas isso não defini sua maternidade e nem a educação da sua filha(o). O que defini são os passos que vc vai dar todo dia em direção a Deus e o exemplo que vai deixar pra eles; esses bebês que não lembram que nasceram de cesárea, que tomaram complemento e que a mãe estava mal quando eram recém nascidos. Mas eles vão lembrar das histórias bíblicas, das comidas preparadas com carinho e das orações ajoelhada em favor deles.

Então hoje quero desejar feliz dia das mães pra vc que teve um início de história bagunçado como o meu, mas que se esforça pra ter um meio intencional buscando um fim recompensador. E quando aquele velho sentimento de incapacidade bater a porta, lembre que ele é seu amigo, não inimigo. Ele te mostra que vc não é capaz mesmo... mas Deus é. Ajoelhe, ore, peça graça, misericórdia e espere o Deus do universo transformar o mal em bem. Ele é especialista nisso!
E lembre... vai passar. Assim como os anos com seu filho em casa tbm irão passar. Então aproveite o hoje na certeza de que excesso de passado é prisão e excesso de futuro é ansiedade. O hoje é o presente...o seu melhor presente de dia das mães!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Trabalho fora/ dentro de casa

Por medo...

Apego