Sobre corridas e pensamentos

Hoje precisava correr. Levar o corpo à exaustão, respiração no limite. Deixar o pulmão suplicar por ar num mundo onde o ar anda sufocante por si só. Precisava correr pra organizar pensamentos enquanto o vento bagunçava o cabelo. Fugir de realidades indignantes, insanidades inexplicáveis.
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Discursos carregados de ira seguidos de hashtags que me deixam atônita. Políticas de sigilo (seria a sigla Somos Todos Falsos apropriada?). Notícias de vírus a cada 5 minutos enquanto a morte pelo preconceito acontece e nem vemos, porque, enfim, só pensamos, falamos e meditamos no tal vírus. Quando a morte injusta não afeta mais nosso coração, é sinal de que já estamos infectados por um vírus pior. Covid se combate com água e sabão, já a indiferença...
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Precisava correr do mundo externo, mas do interno também. Ego inflado, a dona da razão. Vícios insaciáveis e julgamento antes da interpretação exata da frase. O mundo tá caótico... mas seu mundo tá melhor? Será que um não reflete o outro?
Corri pra ajustar minha bússola e ver pra onde devo apontar.
No fim da corrida meus pensamentos estavam organizados, a intolerância perdoada e o ego confessado. Com isso me dei conta que mais uma vez a rosa dos ventos está errada e minha bússola não aponta pra nenhum dos pontos cardeais, mas aponta para os montes que é de onde vem realmente meu socorro (Sl 121).
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Corri pra descansar meu corpo (paradoxo que só corredores entendem!), mas o descanso da alma, mente e coração só encontro de joelhos.
E existe algo que não lhe é tirado independente do que as notícias, as ### e as mortes falem... é a melhor parte. Essa escolha é minha e Jesus prometeu que não me será tirada.
Corri pra fugir, mas é escolhendo a melhor parte que posso enfrentar.
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E minha mão não ponho no fogo por ninguém não. Isso é sabedoria, não omissão. (Jr 17:5).
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